Sport

Ilha do Retiro, 29/07/2010


16/11/2009 - 15h23

As faces da Lei Pelé

Relação clube/atleta/empresário - Parte 1

Ao ser criada no dia 24 de março de 1998, a Lei Pelé, veio para dar normas gerais na legislação esportiva brasileira. A sua chegada, deu a vida a um panorama, marcada por conflitos de interesses entre clubes, atletas e empresários. A lei veio para ajudar? Existe um lado que se beneficia dela? Os esportistas são devidamente protegidos, dos recursos no qual o código oferece? Focando no futebol, a SportNet inicia o especial “As faces da Lei Pelé” que discutirá todas as segundas e quintas, um tema a respeito desse universo, circundado por aliciamentos, frustrações e cifras milionárias.


A Lei Zico, antecessora do código atual, garantia ao clube formador, o passe do atleta permanentemente. Esse era o grande veículo orçamentário da temporada, dando a muitas agremiações, a possibilidade de destacar-se. Um excelente exemplo, de uma equipe vitoriosa regida pela lei anterior, é o Sport de 1994, cuja época, foi uma das mais rentáveis da história Rubro Negra, contando com craques como Leonardo, Sandro, Juninho Pernambucano, entre outros.

 

Com o surgimento da Lei Pelé, muitos dirigentes do Brasil se viram numa situação complicada, ao ser a estabelecida, a lei do passe livre, garantindo ao atleta o poder de seus direitos federativos. Os jogadores, a partir daquele instante ganhavam força na negociação, podendo jogar em qualquer lugar, caso encerra-se o contrato com o contratante, sem algum aval dos clubes formadores.

 

Com a maioria dos atletas oriundos de famílias humildes, ou pouco interessados na questão do negócio, a figura do empresário se intensificou no dia a dia do futebol, sendo eles, teoricamente, responsáveis por organizar as negociações. Os agentes, como também são conhecidos, formam o elemento mais polêmico da tríade, pois sua chegada coincidiu com a criação do futebol mercado, gerando sempre dúvidas, sobre sua honestidade.

 

Quem na verdade são esses empresários? Serão todos eles mal intencionados? Com certeza não, mas sem ter uma regra para limitar e qualificar esse personagem, milhares de agentes surgem pelo país, com personalidades distintas, podendo guiar um jovem esportista para um bom ou mau caminho.

 

Gilberto Gaúcho, ex-atleta do Sport, e atualmente empresário, alerta sobre a demanda dos procuradores, na qual sem preparo, ou credibilidade do nome no mercado, em muitas ocasiões, fazem promessas das quais não podem cumprir - seja por inexperiência, ou até mesmo por propósitos egoístas, expondo garotos, em condições nas quais são incapazes de lidar, como lançá-los a própria sorte num território estrangeiro, podendo até abandoná-lo se o desempenho do atleta, não for condizente com a expectativa.

 

Quanto a esse caso de extrema polêmica, o vice-presidente de comunicação do Sport, José Alves, acredita que o código deveria ser modificado, para possibilitar o banimento do futebol aos agentes praticantes desse caso. "Eles aproveitam o jovem num momento difícil, com famílias muitas vezes ausentes, e promete-lhe mil coisas, depois o abandona num ambiente totalmente desconhecido, é terrível”, comenta o dirigente rubro negro.

 

Muitas dessas promessas salariais, feitas aos jovens são mentirosas, ficando até meses sem receber, e acabam tendo dificuldade de voltar pra casa” – Márcia Rino, advogada trabalhista do Sport, se referindo a algumas propostas recebidas por jovens jogadores, para atuar no futebol internacional.

 

Isaac Macêdo/Redação SportNet

isaac@sportnet.com.br  



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